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09/05/2019  - História do TJ-MT: Chacina choca a sociedade em 1965
 
Ranniery Queiroz - TJ-MT

Os crimes violentos chocam a sociedade e não é de hoje. Em março de 1965 na cidade de Dourados, hoje Mato Grosso do Sul, uma chacina deixou a população escandalizada pela barbárie e crueldade com que uma família inteira foi assassinada.

O crime foi praticado por conta da venda de um carro. Dois japoneses estavam no Brasil há três anos e resolveram comprar um carro usado da vítima. Após pagarem a primeira prestação do carro, foram pescar com o vendedor do carro e seu irmão. Os acusados do crime disseram à polícia que teriam sido ameaçados, caso não quitassem a dívida total. A discussão evoluiu para uma briga. Uma espingarda e um revólver estariam no carro, quando um dos japoneses disparou contra o vendedor e na sequência contra seu irmão que tentou fugir, ambos morreram no local.

Em seguida os assassinos decidiram atrair a mulher do proprietário do carro e deixá-la em local distante para ganharem tempo para a fuga. Eles deixaram os dois corpos escondidos na vegetação e foram até a casa. Assim que a chamaram, a mulher saiu com a criança de dois anos no colo. No trajeto ela desconfiou e pulou do carro em movimento, o outro acusado parou e disparou matando a mulher e a criança.

No desespero de se livrarem o mais rápido possível dos quatro corpos exigiram que dois conhecidos, também japoneses, os ajudassem a ocultar as provas. Sob ameaça, mandaram que cavassem uma vala profunda. Por fim, embora tenham sido ameaçados de morte pelos acusados e os ajudado a enterrarem os corpos, acabaram denunciando o ocorrido à polícia e posteriormente foram liberados da acusação de ocultação de cadáveres.

À época o episódio chamou muito a atenção das comunidades nipônica e brasileira em decorrência da violência com que foi praticada a chacina. Tendo manifestações de associações e do próprio cônsul japonês ao governo brasileiro e à sociedade local.

“A Associação de Dourados e o governo japonês estão profundamente pesarosos e desejam que os criminosos sejam devidamente julgados de acordo com as leis do país. Que os lamentáveis acontecimentos não venham prejudicar a estreita e tradicional amizade existente entre brasileiros e japoneses“. Disse em ofício Shiguekatsu Watanabe, cônsul japonês. O fato teve grande destaque nos jornais brasileiros.

A mãe dos irmãos assassinados mandou um requerimento ao juiz à época (Rafael Arcanjo de Arruda), ofertando um advogado como assistente de acusação. Ao final do julgamento ambos acusados foram condenados à pena máxima de 30 anos e ao pagamento de custas processuais.

Esta ação faz parte do levantamento histórico da Justiça de Mato Grosso em homenagem aos 145 anos do PJMT. São processos que estão no Arquivo do Fórum de Cuiabá e contam um pouco de nossa sociedade, seus avanços e dificuldades.

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