- MPMT: Réus são condenados a mais de 95 anos juntos por homicídios qualificados
MPMT
Dois integrantes de uma organização criminosa
foram condenados pelo Tribunal do Júri de
Guarantã do Norte (731 km de Cuiabá) pelos
homicídios qualificados de Marcionílio Riselo
Neto e Haroldo Júnior Barboza de Souza, além
dos crimes de ocultação de cadáver. O réu
Keulis Jhoni de Souza Cordeiro foi condenado
a 52 anos, oito meses e 15 dias de reclusão,
enquanto Luan Cardoso recebeu pena de 42 anos
e quatro meses. Os condenados iniciarão o
cumprimento da pena em regime fechado e não
poderão recorrer da sentença em liberdade.
Outros dois envolvidos nos crimes já haviam
sido condenados em 2024, em processo
desmembrado. O julgamento de Keulis Jhoni e
Luan ocorreu no dia 27 de fevereiro. O
Conselho de Sentença acolheu integralmente a
tese apresentada pela promotora de Justiça
Rebeca Santana Rêgo, responsável pela
acusação em plenário, reconhecendo que os
crimes foram cometidos por motivo torpe,
mediante meio cruel e com recurso que
dificultou a defesa das vítimas.
De acordo com a denúncia do Ministério
Público de Mato Grosso (MPMT), os homicídios
ocorreram em julho de 2022, após o evento
agropecuário Expotã 2022. Haroldo Júnior foi
atraído e coagido a entrar em um veículo com
os condenados, que posteriormente também
emboscaram Marcionílio. A dupla seguiu com as
vítimas pela BR‑163 até a zona rural do
município, em regiões conhecidas como Linha
da Cachoeirinha e Linha Santo Antônio.
As investigações demonstram que as vítimas
sofreram torturas físicas e psicológicas
durante todo o percurso. Marcionílio foi
morto primeiro, atingido por sucessivos
golpes de picareta no crânio. Parte do grupo
retornou à cidade para adquirir soda
cáustica, utilizada para dificultar a
identificação do corpo, que foi ocultado em
área de difícil acesso. Depois, Haroldo
também foi assassinado com golpes de picareta
e obrigado a ingerir a substância cáustica
antes de ser enterrado em cova rasa.
Os crimes teriam sido motivados por disputas
relacionadas ao tráfico de entorpecentes
sintéticos. As vítimas estavam
comercializando drogas sem autorização da
facção criminosa que atua na localidade, o
que levou os membros do grupo a planejarem e
executarem as mortes.
Durante o julgamento, a promotora de Justiça
apresentou provas periciais, depoimentos e
elementos reunidos pela Polícia Civil, que
ajudaram a esclarecer a dinâmica dos fatos.
As imagens obtidas por câmeras de segurança,
registros de redes sociais e informações
anônimas coletadas pelo delegado Lucas Lelis
Lopes também contribuíram para o
convencimento dos jurados.